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Tratar a dor é prioridade.

by Otávio Melo 13 de fevereiro de 2026

Tratar a dor é prioridade.

Após mais de 15 anos atuando em serviços de resgate, é impossível não me lembrar daquela cena.

Era feriado de Carnaval… Tudo estava tranquilo no plantão. Enquanto isso, as estrada cheias de famílias viajando, crianças animadas no banco de trás, malas e planos para alguns dias de descanso. Mas de repente, o rádio da base aeromédica rompeu o clima típico de feriado:

Colisão grave. Possíveis múltiplas vítimas.

Decolamos imediatamente!

Do alto, a cena já indicava a gravidade. Um veículo capotado no acostamento, trânsito interrompido, pessoas ao redor tentando ajudar. Quando pousamos e nos aproximamos, encontramos uma família inteira consciente — mas em sofrimento intenso.

Pai, mãe e duas crianças.

Todos vivos.

Todos com dor.

A mãe segurava a perna visivelmente deformada, o rosto marcado por lágrimas que misturavam medo e dor.
O pai tentava manter serenidade para proteger os filhos, mas a respiração curta denunciava sofrimento torácico importante.
Uma das crianças chorava cada vez que tentávamos avaliá-la.

Naquele momento, ficou evidente para mim algo que já vinha aprendendo ao longo dos anos no resgate:

A dor dominava aquela cena.

Não era apenas um sintoma.
Era o centro da experiência daquela família.


O momento que transforma a forma de cuidar

Enquanto a equipe iniciava os protocolos de avaliação — via aérea, respiração, circulação — eu sabia que algo precisava acontecer imediatamente.

Iniciar analgesia ainda na cena.

Antes do transporte.
Antes da chegada ao hospital.
Antes mesmo de termos um diagnóstico definitivo.

E foi isso que me nesinou a perceber uma mudança quase instantânea.

A respiração da mãe se acalmou.
O pai começou a responder com mais clareza.
A criança reduziu o choro e passou a cooperar.

Nada mágico.
Nada exagerado.

Apenas a dor sendo tratada.

E quando a dor diminui, o corpo reorganiza-se. A mente estabiliza. A cooperação melhora. O atendimento flui com mais segurança.

Foi ali que consolidei uma convicção que levo comigo até hoje:

Tratar a dor é prioridade.


Por que a dor precisa ser tratada imediatamente?

Durante muito tempo, criou-se uma cultura no atendimento pré-hospitalar ao trauma que colocava a analgesia como uma etapa secundária.

Primeiro se estabiliza.
Depois de tudo pronto, aí sim, tratamos a dor.

Mas e na prática, é possível estabilizar alguém que sente dor ?

Hoje a ciência mostra que essa lógica estava incompleta.

A dor intensa ativa no organismo uma resposta poderosa:

  • Aumento da frequência cardíaca

  • Dificuldade de cooperação

  • Maior consumo de oxigênio

  • Liberação de hormônios do estresse

  • Agitação e ansiedade

Em um paciente que já está enfrentando hemorragia, fraturas ou contusões, essa sobrecarga pode agravar ainda mais o quadro. Aliviar a dor reduz essa resposta. E isso impacta diretamente na estabilidade e na sobrevivência.


A experiência que moldou minha forma de avaliar pacientes

Depois de vários atendimentos semelhantes ao longo desses anos — minha forma de avaliar pacientes com dor foi construída.

Hoje, quando atendo alguém em sofrimento, penso em dois eixos inseparáveis:

  1. Qual é a causa da dor?

  2. Como a dor e o sofrimento está impactando o organismo dessa pessoa neste momento?

Não basta tratar a lesão.

É indispensável aliviar o sofrimento.

Porque uma dor não tratada desde o início pode:

  • Se tornar uma experiência traumática

  • Se tornar crônica

  • Influenciar negativamente a recuperação

Não é apenas sobre manter os sinais vitais, mas para oferecer as melhores condições possíveis para recuperação integral.


O que a ciência reforça

Um editorial publicado em fevereiro de 2026 no Scandinavian Journal of Trauma, Resuscitation and Emergency Medicine trouxe exatamente essa reflexão: a analgesia deve começar ainda na cena.

O texto defende que tratar a dor não é opcional nem secundário — é parte central do cuidado.

A dor intensa não controlada pode aumentar resposta inflamatória, prolongar sofrimento e impactar a memória emocional do evento traumático.

Ou seja:

Cuidar da dor melhora não apenas o momento.
Melhora o desfecho.


Dor, qualidade de vida e memória do trauma

Meses depois daquele acidente de carnaval, soube que a família estava bem.

Mas o que mais me marcou foi o relato da mãe:

“Eu lembro do acidente… mas também lembro quando vocês disseram que iam aliviar minha dor. Aquilo me deu segurança.”

Essa frase resume tudo.

O trauma pode deixar cicatrizes físicas.
Mas a forma como somos cuidados deixa marcas emocionais.

Quando a dor é tratada cedo:

  • O medo diminui.

  • A confiança aumenta.

  • O estresse reduz.

  • A experiência se torna menos traumática.

Isso impacta qualidade de vida.

E qualidade de vida começa nos primeiros minutos de atendimento.


Tratar a dor é prioridade. Sempre.

Hoje, carrego uma filosofia clara em cada atendimento:

Salvar vidas é essencial.

Mas aliviar sofrimento também é.

Não são escolhas opostas.
São partes complementares do cuidado.

Tratar a causa é obrigatório.
Aliviar a dor é indispensável.

Porque dor intensa não é apenas desconforto.

É risco.
É sobrecarga.
É sofrimento evitável.

E nenhum paciente deve suportar sofrimento desnecessário enquanto está sob nossos cuidados.

Tratar a dor é prioridade.

Referência : Carenzo, L., Rehn, M. & Dünser, M.W. Pain first: rethinking early analgesia in emergency trauma care. Scand J Trauma Resusc Emerg Med 34, 35 (2026). https://doi.org/10.1186/s13049-026-01571-y

13 de fevereiro de 2026 0 comment
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Tratamento da Artrose do Joelho com Laser em 2025

by Otávio Melo 18 de setembro de 2025

Introdução

A osteoartrite de joelho é uma das doenças mais incapacitantes do mundo. Afeta milhões de pessoas, causa dor crônica, rigidez, limitação de mobilidade e, em estágios avançados, pode levar até à cirurgia de substituição articular.

Nos últimos anos, recursos como o laser terapêutico (nas suas diferentes modalidades: PBM/LLLT, HILT, ILIB e laser-acupuntura) passaram a ganhar destaque como adjuvantes seguros e eficazes para aliviar sintomas, melhorar função e até influenciar biomarcadores inflamatórios.

Para organizar esse cenário, analisamos os últimos 20 estudos publicados em 2025, incluindo ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas, meta-análises e até modelagens computacionais. Este artigo traz a síntese de todas essas evidências, sempre em tom acessível, mas fiel à ciência.


1. A base: o que é fotobiomodulação (PBM/LLLT)?

A PBM (ou laser de baixa intensidade/LLLT) utiliza doses específicas de luz, geralmente na faixa de 600–900 nm, para estimular processos celulares sem gerar calor excessivo.

Um ensaio clínico de 2025 (Lasers in Medical Science) seguiu as recomendações da WALT (Associação Mundial de Terapia com Laser) e aplicou 4 J por ponto em 9 pontos do joelho em pacientes com osteoartrite. O resultado foi claro: melhora significativa na dor (VAS), função (WOMAC) e qualidade de vida (KOOS) em comparação a placebo e controle .

Mensagem prática: PBM funciona, mas dose e número de pontos importam. Protocolos fora da janela certa podem não gerar resultados.


2. HILT: potência e profundidade em jogo

O HILT (laser de alta intensidade, geralmente Nd:YAG 1064 nm) penetra mais profundamente e pode gerar efeitos adicionais, como analgesia intensa e estímulo regenerativo.

Mas os estudos mostram nuances:

  • Em um RCT de 2025 (Lasers in Medical Science), o HILT não foi superior ao exercício isolado em curto prazo quando aplicado apenas 6 vezes .

  • Já quando comparado à diatermia por ondas curtas (SWD), o HILT combinado a exercícios foi claramente superior em dor, rigidez e função, com manutenção até 12 semanas .

Mensagem prática: o HILT pode superar recursos tradicionais (como SWD), mas precisa de protocolo robusto e, idealmente, estar associado ao exercício.


3. Pulsado ou contínuo? A engenharia por trás do laser

Um estudo computacional de 2025 (Journal of Biophotonics) utilizou um modelo 3D anatômico do joelho para comparar HILT contínuo (CW) e pulsado (PW).

Resultado: o PW entregou maior fluência em músculo profundo (~4,2 J/cm²) com menor aquecimento da pele (~42,5 °C em 300 s) .

Mensagem prática: para atingir tecidos profundos com segurança térmica, prefira o modo pulsado.


4. Biomarcadores: laser no sangue, exercício e inflamação

Aqui estão alguns dos achados mais fascinantes:

  • PBM + exercício (ECR de 2021): aumentou IL-10 (anti-inflamatória) e melhorou WOMAC .

  • ILIB (laser intravascular, 632,8 nm) (ECR 2024): reduziu IL-1β e IL-13 e melhorou WOMAC-dor em 1 mês .

Mensagem prática: laser pode modular inflamação sistêmica, não apenas reduzir dor local.


5. Laser no pós-operatório: fotobiomodulação após prótese de joelho

Um ensaio de 2025 (Photobiomodulation, Photomedicine, and Laser Surgery) avaliou PBM em pacientes submetidos a artroplastia total de joelho.

Conclusão: PBM reduziu edema e acelerou recuperação funcional (2MWT), mas não alterou dor ou amplitude de movimento nos primeiros dias .

Mensagem prática: PBM é especialmente útil para controlar inchaço e estimular mobilidade precoce após cirurgia.


6. Outros recursos: PEMF, ESWT e laser-acupuntura

  • ESWT (ondas de choque) e LLLT superaram PEMF em melhora de dor e função em um RCT com 120 pacientes .

  • Laser-acupuntura (LA): meta-análises recentes confirmam redução da dor em OA de joelho, com alta segurança .

Mensagem prática: LLLT e ESWT têm impacto mais robusto que PEMF; LA é alternativa eficaz para quem evita agulhas.


7. A visão de conjunto: meta-análise em rede

Uma network meta-analysis com 139 ECRs (n=9.644) publicada em 2025 (PLOS ONE) mostrou que:

  • Exercício e joelheira foram as intervenções mais eficazes para WOMAC.

  • Entre os recursos físicos, o HILT teve destaque positivo.

Mensagem prática: o exercício segue sendo o pilar central; o laser entra como potencializador.


8. Síntese prática para clínica e consultório

Depois de 20 estudos, 3 regras se repetem:

  1. Exercício é base: sem ele, o laser não mostra todo o seu potencial.

  2. Parâmetros importam: siga recomendações (como WALT para PBM; modo PW para HILT).

  3. Objetivo direciona protocolo: dor, função, edema ou biomarcadores exigem estratégias diferentes.


Conclusão

A ciência de 2025 confirma: laser funciona na artrose de joelho, mas não sozinho e não de qualquer jeito.

O segredo está em:

  • associar com exercícios;

  • respeitar doses e parâmetros validados;

  • escolher a modalidade certa (PBM, HILT, ILIB, LA) para o objetivo certo.

Assim, pacientes colhem menos dor, menos inflamação, mais mobilidade e melhor qualidade de vida.

Referências

  • Dos Santos Maciel T, Chamy NCL, Dos Santos Maciel M, Marques AP. Effect Of Photobiomodulation (Low-Level Laser Therapy) In Patients With Knee Osteoarthritis: A Randomized Controlled Trial. Lasers Med Sci. 2025;40(1):293. doi:10.1007/s10103-025-04542-4. PubMed

  • Laotammateep C, Champaiboon J, Surarangsit T, et al. Efficacy of high intensity laser therapy versus sham laser in symptomatic knee osteoarthritis: a double-blind randomized controlled trial. Lasers Med Sci. 2025;40:87. doi:10.1007/s10103-025-04352-8. Springer

  • Vassão PG, et al. Effects of PBM and exercise on biomarkers and functional capacity in women with knee OA: a randomized blinded study. Adv Rheumatol. 2021;61:62. doi:10.1186/s42358-021-00220-5. SpringerOpen

  • Su Y-C, Shen Y-P, Chang C-Y, et al. The Effect of Intravascular Laser Irradiation of Blood on Serum Biomarkers and Clinical Outcome in Knee Osteoarthritis Patients: A Double-Blind Randomized Control Trial. Int J Mol Sci. 2024;25:13608. doi:10.3390/ijms252413608. MDPI

  • Ozsoy T, et al. The Impact of Photobiomodulation Therapy on Swelling Reduction and Recovery Enhancement in Total Knee Arthroplasty: A Randomized Clinical Trial. Photobiomodul Photomed Laser Surg. 2025;43(2). doi:10.1089/photob.2024.0120. Liebert

  • Pasin T, Dogruoz Karatekin B. Comparison of ESWT, LLLT and PEMF in knee OA: RCT. J Clin Med. 2025;14:594. doi:10.3390/jcm14020594. MDPI

  • Zeng C, et al. Laser Acupuncture for the Pain of Knee Osteoarthritis. J Pain Res. 2025;18:3833-3841. doi:10.2147/JPR.SXXXX. Dove Press

  • Chaki C, De Taboada L, Tse KM. Comparative Analysis of Pulsed and Continuous Wave Modes in High-Intensity Laser Light Therapy: Implications for Deep Tissue Treatment. J Biophotonics. 2025;18:e202400164. doi:10.1002/jbio.202400164. Wiley

  • Ceyhan Z, Karaca SB. The efficacy of high-intensity laser and short-wave diathermy both combined with exercises in patients with knee osteoarthritis: a randomized comparative study. Lasers Med Sci. 2025. doi:10.1007/s10103-025-04446-3. Springer

  • Rahimi MS, et al. HILT vs biofeedback in knee OA. Anesth Pain Med. 2024;14(5):e143708. doi:10.5812/aapm-143708. PubMed

  • Akgün K, et al. Additional effect of HILT with conventional physiotherapy in OA. Lasers Med Sci. 2025. doi:10.1007/s10103-025-04501-z. Springer

  • Kuru Ç, et al. The Effects of High-Intensity Laser Therapy vs. Low-Level Laser Therapy on Quadriceps in OA. Lasers Med Sci. 2025. doi:10.1007/s10103-025-04510-y. Springer

  • Demircioglu S, et al. HILT vs sham in OA: double-blind RCT. Lasers Med Sci. 2025. doi:10.1007/s10103-025-04499-3. Springer

  • Fan Y, et al. Low-level laser therapy in knee osteoarthritis: a narrative review. Clin Exp Rheumatol. 2025;43(1):66-74. PubMed

  • Gungor A, et al. HILT + biofeedback vs biofeedback alone in OA. Lasers Med Sci. 2025. doi:10.1007/s10103-025-04533-5. Springer

  • De Paiva PRV, et al. Influence of irradiance on PBM for muscle performance: RCT. Lasers Med Sci. 2025. doi:10.1007/s10103-025-04521-9. Springer

  • Chen X, Fan Y, Tu H, Luo Y. Clinical efficacy of different therapeutic options for knee OA: network meta-analysis. PLoS One. 2025;20(6):e0324864. doi:10.1371/journal.pone.0324864. PLOS

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18 de setembro de 2025 0 comment
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Ozonioterapia Acaba de Ser Reconhecida Pelo CFM

by Otávio Melo 28 de agosto de 2025

O que está em jogo na liberação da ozonioterapia?

Por muitos anos, a ozonioterapia ocupou um espaço controverso no cenário da medicina brasileira. Ao mesmo tempo em que ganhava adeptos entre pacientes e profissionais da saúde, enfrentava resistência institucional, com o rótulo de “prática experimental” estampado em todas as suas menções. Isso começou a mudar em 2023, com a promulgação da Lei Federal nº 14.648, que autorizou a utilização do ozônio como procedimento complementar em território nacional. Mas foi somente em 21 de agosto de 2025, com a publicação da Resolução CFM nº 2.445/2025, que a ozonioterapia passou, de fato, a ser reconhecida como ato médico com respaldo científico e regras claras para sua aplicação clínica.

A partir dessa resolução histórica do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil ingressa num novo capítulo da medicina integrativa, agora com base em dados científicos validados, critérios técnicos rigorosos, e um conjunto definido de indicações clínicas autorizadas. O ozônio, quando aplicado corretamente, passa a ser adjuvante no tratamento de feridas e de dor musculoesquelética, com destaque para úlceras de pé diabético e osteoartrite de joelho, entre outras condições.


🧭 Contexto Legal: da lei à regulamentação médica

A Lei nº 14.648, de 2023, autorizou a ozonioterapia como procedimento de caráter complementar em todo o território nacional, mas deixou sob responsabilidade dos conselhos de classe, como o CFM, a definição dos critérios técnicos e profissionais para sua prática. Isso criou um intervalo em que a prática era legal, mas ainda não regulamentada do ponto de vista técnico e ético pela medicina convencional.

Essa lacuna foi finalmente preenchida em 21 de agosto de 2025, quando o CFM publicou a Resolução nº 2.445/2025, resultado de uma análise científica e regulatória criteriosa, com base nos relatórios técnicos elaborados pelo Departamento de Ciência e Pesquisa (Decip) do próprio CFM.


📜 O que diz a Resolução CFM nº 2.445/2025?

A nova norma autoriza a ozonioterapia como procedimento médico adjuvante para duas grandes áreas terapêuticas:

  1. Tratamento de feridas específicas

  2. Tratamento de dores musculoesqueléticas específicas

Isso significa que o ozônio medicinal pode ser usado como complemento — e nunca como substituto do tratamento convencional — em situações bem definidas e com protocolos clínicos baseados em evidência.


🩹 1. OZONIOTERAPIA EM FERIDAS: QUANDO É PERMITIDA?

Segundo o Art. 1º da Resolução, está autorizado o uso tópico de ozônio em:

  • Úlceras de pé diabético

  • Úlceras arteriais isquêmicas

  • Feridas infecciosas agudas

  • Úlceras venosas crônicas

🧪 Método e protocolo:

  • Aplicação tópica, via:

    • Bolsa hermética (“ozone bagging”)

    • Óleo ozonizado

    • Pomada ozonizada

  • Protocolos devem ser baseados em evidência científica.

  • Uso restrito a consultórios com infraestrutura mínima (Grupo 2) ou ambiente hospitalar.

  • Proibido o uso em feridas neoplásicas (ex: feridas tumorais), por risco de agravamento.


🤕 2. DOR MUSCULOESQUELÉTICA: QUAIS CONDIÇÕES PODEM RECEBER OZÔNIO?

De acordo com o Capítulo II da Resolução, a ozonioterapia pode ser aplicada como tratamento complementar para dor, especificamente em:

  • Osteoartrite de joelho

    • Via de aplicação: injeção intra-articular

    • Local: consultório médico ou clínica com padrão Grupo 3

  • Dor lombar causada por hérnia de disco

    • Via de aplicação: injeção paravertebral ou intradiscal

    • Local: apenas em ambiente hospitalar com estrutura cirúrgica

    • Profissional: apenas médicos com RQE em Anestesiologia, Neurocirurgia, Ortopedia e Traumatologia, ou áreas de atuação como Dor e Radiologia Intervencionista


🛑 O que NÃO está autorizado?

  • Feridas tumorais (neoplásicas)

  • Fibromialgia

  • Síndrome do túnel do carpo

  • Síndrome miofascial cervical (exceto em pesquisa)

  • Dor lombar inespecífica

  • Auto-hemotransfusão ozonizada

  • Injeções sem guia de imagem ou ambiente estéril

A resolução é clara: só pode aplicar ozônio nas condições aprovadas, com técnica e ambiente corretos. Fora disso, a prática continua vedada ou considerada experimental.


🧰 Exigências técnicas e legais para o uso da ozonioterapia:

  • Equipamento de ozônio medicinal deve ter certificação da Anvisa

  • O médico deve:

    • Realizar diagnóstico nosológico

    • Manter registro detalhado em prontuário

    • Definir concentração, volume, frequência e desfechos clínicos

  • Somente médicos podem indicar a terapia


🩺 Base científica: como o CFM chegou a essa decisão?

A decisão foi embasada nos Relatórios Técnicos nº 02/2025 e 03/2025, com base em mais de 30 artigos científicos revisados sistematicamente. A metodologia de análise incluiu:

  • Revisões sistemáticas

  • Ensaios clínicos randomizados

  • Estudos observacionais

  • Avaliação de evidência via sistema GRADE

  • Fontes como PubMed, Cochrane Library, Embase, Scopus e Web of Science

🧠 Análise científica da decisão do CFM sobre a Ozonioterapia


🔬 Como o CFM chegou a essa decisão? Explicando a metodologia científica

A autorização médica da ozonioterapia pelo Conselho Federal de Medicina não foi uma simples mudança de posicionamento ideológico. Pelo contrário: a Resolução CFM nº 2.445/2025 foi o desfecho de uma análise científica rigorosa feita pelo Departamento de Ciência e Pesquisa (DECIP) do próprio CFM, com base em dois relatórios técnicos aprofundados:

  • 📑 Relatório Técnico nº 02/2025 — Tratamento de feridas

  • 📑 Relatório Técnico nº 03/2025 — Dor musculoesquelética

Os documentos seguiram metodologia baseada em evidência, com foco em:

  • Ensaios clínicos randomizados (RCTs)

  • Estudos observacionais

  • Revisões sistemáticas

  • Classificação de qualidade da evidência por GRADE, AMSTAR 2 e Newcastle-Ottawa Scale (NOS)

As bases de dados consultadas foram as mais respeitadas do mundo acadêmico:

  • 🔹 PubMed/Medline

  • 🔹 Cochrane Library

  • 🔹 Scopus

  • 🔹 Embase

  • 🔹 Web of Science

 O diferencial desta nova análise foi que ela não avaliou a ozonioterapia de forma genérica, como antes. Agora, a avaliação foi específica por tipo de lesão ou dor, o que garantiu mais precisão científica na tomada de decisão.


📊 Resultados científicos e estatísticos – Explicados de forma simples

🩹 1. Eficácia da ozonioterapia em feridas

✅ Indicação mais sólida: ÚLCERA DE PÉ DIABÉTICO

  • Desfechos observados:

    • Redução do tempo de cicatrização

    • Diminuição da área da lesão

    • Menor tempo de internação

    • Redução significativa nas taxas de amputação

O uso tópico de ozônio mostrou resultados positivos e clinicamente relevantes em pacientes com úlcera de pé diabético.

🟡 Evidência moderada:

  • Úlceras arteriais isquêmicas

  • Feridas infecciosas agudas

  • Úlceras venosas crônicas

Embora a qualidade dos estudos ainda seja variável, os relatos de melhora de granulação tecidual, redução de infecção e exsudato sustentam a autorização condicional do uso nesses casos.

❌ Contraindicação absoluta:

  • Feridas neoplásicas (tumorais)

Risco teórico de acelerar necrose e disseminar células tumorais com uso de ozônio — proibido em qualquer estágio.


🤕 2. Eficácia da ozonioterapia em dor musculoesquelética

✅ Indicação mais robusta: OSTEOARTRITE DE JOELHO

  • Via: injeção intra-articular de ozônio medicinal

  • Comparada a placebo, ácido hialurônico e corticoides

  • Resultados consistentes:

    • Redução significativa da dor (em escalas VAS)

    • Melhora da função e mobilidade articular

    • Efeito de magnitude moderada a alta

✅ Segunda indicação liberada: Dor lombar por hérnia de disco

  • Via: injeção paravertebral ou intradiscal, guiada por imagem

  • Exige ambiente cirúrgico controlado e médico especialista

  • Resultados mostram:

    • Redução significativa de dor

    • Melhora funcional em relação ao baseline

    • Taxa de complicações graves: apenas 0,064%

A aplicação intramuscular de ozônio em pacientes com hérnia lombar reduziu significativamente a dor sem efeitos adversos graves.


Efeitos colaterais e segurança

Segundo a resolução:

  • Eventos adversos graves são raros

  • Podem ocorrer:

    • Ardência local

    • Dermatite leve

    • Casos isolados de infecção secundária

  • A maioria dos efeitos negativos se deu por falhas técnicas, como:

    • Uso de produtos de baixa qualidade

    • Ruptura da barreira de assepsia

    • Equipamentos sem registro na Anvisa

Por isso, a norma exige que todo procedimento use equipamento certificado pela Anvisa, além de ambiente estéril e registro médico detalhado em prontuário.


🔍 Comparações com dados internacionais

Para ilustrar a posição do Brasil após essa regulamentação, comparamos com outros países:

País Situação da Ozonioterapia
Alemanha Prática regulamentada desde os anos 1980, com uso em medicina complementar
Itália Aplicação reconhecida em diversas clínicas para dores e feridas
Espanha Uso hospitalar permitido sob controle médico
EUA Ainda considerada prática alternativa, não aprovada pelo FDA
Brasil (até 2025) Experimental, com restrições éticas e legais
Brasil (agosto 2025) Regulamentada como adjuvante, com regras específicas

A regulamentação brasileira aproxima-se do modelo europeu, com foco em uso complementar e baseado em evidências.

“O que vemos agora é o reconhecimento, por parte do CFM, de que a ozonioterapia, quando usada em indicações precisas e com rigor técnico, pode ser um aliado importante no manejo de feridas complexas e dores crônicas. A decisão se baseia em dados concretos, não em modismos. Mas atenção: isso não é uma liberação irrestrita. O uso deve ser criterioso, documentado, e realizado por profissionais capacitados, em ambientes adequados. Trata-se de um avanço — desde que feito com responsabilidade.”

28 de agosto de 2025 0 comment
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Cama de LED e Fotobiomodulação: os Segredos do Hulk para Continuar no Topo.

by Otávio Melo 11 de julho de 2025

O que há por trás do desempenho surpreendente de um atleta veterano?

Descubra como a fotobiomodulação de corpo inteiro pode te ajudar também.

Imagine um jogador de futebol que, ainda é decisivo, corre como um garoto e se destaca em campo contra adversários bem mais jovens. Esse é o Hulk, do Atlético-MG.

Aos 38 anos, o atacante continua sendo um dos jogadores mais decisivos do futebol brasileiro.

 

Mas o que está por trás desse rendimento impressionante, mesmo com uma idade considerada “avançada” para o futebol profissional?

 

Além de treinos, alimentação e disciplina, Hulk revelou recentemente algo que surpreendeu até os mais céticos: ele usa, em casa, uma cama de LED com tecnologia de luz vermelha e infravermelha para acelerar a recuperação do corpo.

Mas isso é só conforto moderno ou realmente funciona? A ciência diz que funciona — e muito.

Essa prática, que vem ganhando espaço entre atletas e praticantes de atividade física de alta performance, não é apenas um modismo. A ciência tem demonstrado que a fotobiomodulação pode melhorar marcadores de desempenho, acelerar a regeneração muscular, reduzir inflamação e até combater os efeitos do envelhecimento.

 

Hulk está velho? Não para a luz vermelha

No futebol, a maioria dos jogadores perde rendimento físico com o tempo. As lesões ficam mais frequentes, a recuperação mais lenta, a energia some. Mas com o apoio da fotobiomodulação, Hulk está desafiando esse ciclo natural.

Com sessões regulares em sua cama de LED, ele consegue:

  • Recuperar os músculos mais rápido após treinos e jogos
  • Reduzir a dor e o cansaço muscular antes que se tornem problemas
  • Manter o alto nível de rendimento físico, mesmo com mais de 35 anos
  • Evitar inflamações persistentes, comuns em atletas veteranos

📌 Quer entender como a luz pode impactar até seu metabolismo? Veja este conteúdo da Regenius

Mas… o que diz a ciência?

Uma Revisão sistemática sobre Fotobiomodulação de Corpo Inteiro, (“A systematic review on whole-body photobiomodulation for exercise performance and recovery”) foi publicada em janeiro de 2025 na revista científica Lasers in Medical Science (Springer).

A revisão analisou 5 estudos clínicos com humanos, totalizando 105 participantes fisicamente ativos, que usaram dispositivos de luz LED em espectros vermelho e infravermelho, antes ou após o exercício. As pesquisas avaliaram sono, fadiga, inflamação e desempenho.

Os principais resultados foram a melhora na qualidade do sono (2 estudos), com aumento de melatonina e redução da frequência cardíaca noturna, sem identificação de  efeitos adversos.

Os dados iniciais são promissores, especialmente em parâmetros relacionados à recuperação e regulação do sono, fundamentais para atletas de alta exigência como Hulk.

Um outro artigo sobre fotobiomodulação com LED infravermelho, publicado na revista Photomedicine and Laser Surgery, em 2016, (“Pre-Exercise Infrared Low-Level Laser Therapy (810 nm) in Skeletal Muscle Performance and Postexercise Recovery in Humans”) avaliou os efeitos da fotobiomodulação em jogadores de futebol de elite.

Foram estudados 28 atletas profissionais submetidos a exposição ao laser infravermelho com doses variadas aplicadas antes do exercício. Ficou provado que a aplicação aumentou significativamente a força muscular nas primeiras 24h pós-exercício. Os marcadores inflamatórios (IL-6 e CK) tiveram uma redução expressiva.

Concluiu-se portanto, que a aplicação pré-exercício da luz infravermelha com parâmetros adequados promove melhor performance e recuperação mais rápida, sendo altamente eficaz em protocolos de alto rendimento.

 

O que isso quer dizer na prática?

Que usar luz — como Hulk faz — não é só luxo ou capricho, é uma ferramenta real de performance. É como dar ao corpo uma “ajuda extra” para funcionar melhor, sem desgastar tanto.

E mesmo sem ser atleta profissional, qualquer pessoa ativa pode se beneficiar dessa tecnologia, inclusive para recuperar-se mais rápido de treinos pesados, lesões ou até do cansaço do dia a dia.

🔗 Leia mais sobre os benefícios da fotobiomodulação no corpo neste artigo da Regenius

 

Mais um artigo (“A Comprehensive Review on the Effects of Laser Photobiomodulation on Skeletal Muscle Fatigue in Spastic Patients”) publicado em abril de 2021 no International Journal of Photoenergy reforçou que a fotobiomodulação pode reduzir significativamente a fadiga muscular periférica e melhorar o desempenho de forma segura e não invasiva.

Existem centenas de outros como esses na literatura, ou seja: o que não falta é evidências de que a luz pode sim auxiliar na recuperação, performance e manutenção da saúde, tanto para atletas profissionais quanto para pessoas comuns.

 

Quer saber como tudo isso é possível, de uma forma tão simples?

Mecanismos Biológicos: como a luz atua no corpo?

A fotobiomodulação atua principalmente sobre a mitocôndria, estimulando a produção de ATP (energia celular), promovendo vasodilatação, melhorando a oxigenação tecidual e reduzindo marcadores inflamatórios como IL-6 e TNF-α.

Além disso, há evidências de:

  • Redução de estresse oxidativo
  • Estímulo à liberação de fatores de crescimento
  • Melhora no recrutamento neuromuscular
  • Inibição da condução de sinais de dor

 

Longevidade e Performance: o diferencial para atletas mais velhos

A aplicação regular da PBM pode ajudar atletas veteranos como Hulk a manter níveis elevados de performance, graças à:

  • Redução da perda de massa muscular
  • Diminuição da inflamação crônica
  • Melhora da função cardiovascular e neuromuscular.

 

Como a cama de LED ajuda o corpo?

A tecnologia usada por Hulk se baseia na fotobiomodulação de corpo inteiro, um nome complicado para um conceito simples: usar luz para estimular o corpo a se recuperar melhor, mais rápido e com menos dor.

A luz vermelha e a luz infravermelha penetram na pele e ativam mecanismos celulares que favorecem a produção de energia, reduzem inflamações, melhoram a circulação e ajudam os músculos a se regenerarem após esforço intenso.

E o mais interessante: tudo isso sem dor, sem efeitos colaterais e sem a necessidade de medicamentos.

🔗 Saiba mais sobre os conceitos dessa tecnologia neste link da Regenius

 

🧬 Luz que ativa o que há de melhor no seu corpo

A luz vermelha usada na cama de LED age principalmente estimulando a parte das células responsável por gerar energia — as famosas mitocôndrias.

Isso se traduz em:

✅ Mais disposição

✅ Menos dores pós-exercício

✅ Sono de melhor qualidade

✅ Sistema imune mais forte

✅ Envelhecimento mais lento

📌 Conheça mais sobre o Método Regenius aqui neste link

 

🧠 Cuidar do corpo também é cuidar da mente

Além dos benefícios físicos, a fotobiomodulação pode ajudar também no humor e no bem-estar mental. Afinal, quem treina bem, dorme bem e sente menos dor, vive melhor.

E para um atleta como Hulk, que precisa estar inteiro tanto física quanto emocionalmente, isso faz toda a diferença. A cama de LED não é só uma ferramenta de recuperação — é uma estratégia para manter a longevidade esportiva e mental.

 

✨ E você, vai deixar essa tecnologia só para os atletas?

A boa notícia é que não é preciso ser jogador de futebol para se beneficiar da luz vermelha. Cada vez mais pessoas têm recorrido à fotobiomodulação para manter o corpo saudável, melhorar a performance nos treinos e até no processo de emagrecimento.

Quer experimentar na prática como essa luz pode transformar seu bem-estar?

🔗 Explore os conteúdos da Regenius e descubra como a luz pode te ajudar a ir além:

  • O que é Fotobiomodulação?
  • Benefícios da luz vermelha
  • Fotobiomodulação e perda de peso
  • Conheça o RegenBody

📖 Referência científica

Vanin AA, et al. Pre-Exercise Infrared Low-Level Laser Therapy in Skeletal Muscle Performance and Postexercise Recovery in Humans. Photomed Laser Surg. 2016;34(10):1–10.
Link para o artigo completo

 

11 de julho de 2025 0 comment
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Mais proteína, menos calorias… e ossos mais fracos?

by Otávio Melo 10 de maio de 2025

Dietas ricas em proteína ganharam status de protagonistas nas últimas décadas. Seja para emagrecer, preservar músculos durante o envelhecimento ou manter a saciedade, a proteína é constantemente apontada como um dos pilares da boa alimentação.

Do outro lado, a restrição calórica moderada é considerada por muitos como uma ferramenta eficiente de controle de peso, melhora metabólica e até promoção da longevidade. E se combinássemos as duas estratégias?

A lógica dominante diria: “você vai perder gordura, preservar o músculo e proteger seus ossos.”

O que a ciência já sabe: músculo e osso são interdependentes

Na literatura científica, é amplamente aceito que massa muscular e massa óssea caminham juntas:

  • Músculo contrai → gera carga sobre o osso;

  • O osso responde formando mais matriz e fortalecendo-se;

  • Isso é especialmente verdadeiro durante crescimento, reabilitação ou exercícios de impacto.

👉 Estudos clínicos e populacionais mostram que:

    • Pessoas com maior massa magra tendem a ter melhor densidade mineral óssea (DMO);

    • A sarcopenia (perda de músculo) é fator de risco independente para osteoporose e fraturas;

    • A combinação de obesidade + sarcopenia (sarcopenia obesogênica) é especialmente prejudicial ao osso.

Haveria algo errado com esses achados científicos ?

Um estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, publicado em janeiro de 2025 na revista JBMR Plus, acendeu um alerta silencioso. Ao analisar os efeitos de uma dieta com menos calorias e mais proteína em um modelo experimental rigorosamente controlado, os autores encontraram um resultado inesperado:

Mais músculo. Menos gordura. E ossos mais fracos.

Vamos entender por que isso aconteceu, qual foi o protocolo utilizado, o que o estudo mostra — e o que ele não mostra — além de discutir os importantes vieses metodológicos que precisam ser conhecidos para interpretar os dados com responsabilidade.


🔬 Como o estudo foi conduzido?

A pesquisa foi realizada com sessenta ratas fêmeas adultas da linhagem Wistar Hannover, mantidas sob condições laboratoriais controladas por oito semanas. As cobaias foram divididas em três grupos alimentares:

Grupo Calorias totais Teor de proteína Protocolo
C (controle) 100% Padrão Dieta ad libitum (à vontade)
R (restrição calórica) 70% Padrão Restrição calórica
H (hiperproteico) 70% Alta proteína Restrição calórica + aumento de proteína
A proposta do grupo H era simular uma prática comum em contextos de emagrecimento: redução calórica associada a maior ingestão proteica, visando preservar massa magra.

Ou seja:

  • O grupo controle representava uma dieta de manutenção;

  • O grupo R simulava uma dieta restritiva comum;

  • O grupo H testava a combinação: menos calorias + mais proteína — algo semelhante ao que muitos planos de emagrecimento adotam hoje em clínicas e academias.


🧪 O que foi avaliado?

  1. Composição corporal (DXA): massa magra, massa gorda, peso corporal;

  2. Microestrutura óssea (μCT): tíbia, fêmur, vértebra L5;

  3. Histomorfometria óssea: número de osteoblastos, osteoclastos e adipócitos da medula;

  4. Cultivo celular da medula óssea: avaliação da osteoclastogênese in vitro.


📊 O que os resultados mostraram?

💪 Composição corporal

  • O grupo H preservou a massa magra mesmo com menos calorias.

  • Houve redução significativa da gordura corporal.

Massa gorda final
C: 51,4g
R: 17,4g
H: 6,9g

✅ Até aqui, parece o cenário ideal.


🦴 Estrutura óssea

Mas os dados da microtomografia revelaram:

  • Redução do volume trabecular (BV/TV);

  • Maior separação entre trabéculas (Tb.Sp);

  • Redução da espessura cortical (Ct.Th).

BV/TV (%) Tb.Sp (µm)
C: 73,7 0,11
R: 63,8 0,12
H: 61,1 0,13

❌ Mesmo com mais músculo, os ossos estavam mais frágeis.


🧫 Gordura na medula óssea (MAT)

O número de adipócitos na medula da tíbia foi surpreendente:

Adipócitos/mm²
C: 3,27
R: 16,7
H: 41,19

A MAT é um marcador associado à perda de densidade óssea, envelhecimento e doenças como a anorexia nervosa. Sua expansão afeta diretamente o ambiente hematopoiético e o metabolismo ósseo.


🔬 Osteoclastogênese in vitro

Ao cultivar células da medula das ratas, o grupo H apresentou:

  • Maior diferenciação de osteoclastos;

  • Indício claro de aumento da reabsorção óssea.

Osteoclastos por poço
C: 105
R: 19
H: 130

🧩 O paradoxo: mais músculo, menos osso

O modelo experimental revelou um fenômeno fisiológico paradoxal: preservação de massa magra associada a comprometimento estrutural do esqueleto.

O estudo da USP levanta uma hipótese poderosa e preocupante, que ainda não foi validado em humanos, com diferentes fontes proteicas e controle dos múltiplos sistemas envolvidos.

Mas o que poderia estar por trás disso?


⚠️ Qual foi a proteína utilizada no estudo?

Agora chegamos ao ponto crítico da interpretação.

📎 Trecho do artigo original:

“The C, R, and H groups received 140, 140, and 460 g/kg of casein, respectively.” (Romano et al., JBMR Plus, 2025)

Isso mesmo: o estudo utilizou exclusivamente a caseína como única fonte proteica, elevando sua concentração para 460 g/kg de dieta no grupo H. Isso representa uma quantidade muito acima da ingestão habitual — e mais importante ainda:

A caseína é uma proteína encontrada no leite, e não faz parte da dieta normalmente utilizada por ratas adultas.

🧠 E por que isso importa tanto?

Porque como os roedores são animais herbívoros por natureza, e seu sistema digestivo não é fisiologicamente adaptado para processar grandes quantidades de proteína animal — muito menos proteína láctea isolada em doses elevadas.

Além disso, a caseína é conhecida na literatura científica por, em altas concentrações, provocar efeitos colaterais relevantes em modelos animais:

⚠️ O que já foi observado com caseína em roedores:

  1. Alterações na microbiota intestinal
    → Redução da diversidade microbiana e aumento de bactérias pró-inflamatórias.

  2. Aumento da permeabilidade intestinal (“leaky gut”)
    → Maior translocação de endotoxinas que afetam o eixo intestino–osso.

  3. Estímulo inflamatório crônico subclínico
    → Elevação de citocinas como IL-6 e TNF-α, que favorecem a reabsorção óssea.

  4. Redução da digestibilidade proteica em altas doses
    → Especialmente quando há restrição energética, como no grupo H.

  5. Redução da absorção proteica em ambiente de estresse calórico

🧪 O que o estudo não mediu

O modelo também não avaliou nenhum marcador de atividade metabólica óssea nem sistêmica, como:

    • Vitamina D

    • Paratormônio (PTH)

    • P1NP (propeptídeo do colágeno tipo 1)

    • C-Tx (telopeptídeo C-terminal do colágeno tipo 1)

    • Osteocalcina

    • Deoxipiridinolina (DPD)

    • Calcitonina

    • Cálcio sérico total ou iônico

    • Albumina

    • Fosfatase alcalina (ALP) ou óssea

    • Fosfatase ácida (TRAP)

    • Creatinoquinase (CPK)

    • Íons séricos relacionados ao metabolismo ósseo

Ou seja, não sabemos se a proteína utilizada pelos pesquisadores (caseína) foi de fato absorvida, nem se gerou inflamação ou alterações hormonais.

Sem dosagens bioquímicas no sangue, não podemos saber se os efeitos locais observados no osso e na medula têm reflexo sistêmico (circulante). Ou seja:

O estudo mostrou o que estava acontecendo nos ossos e nas células da medula, mas não como o organismo inteiro estava reagindo bioquimicamente.

Essa é uma limitação importante, especialmente porque:

  • O PTH, a vitamina D e a osteocalcina são marcadores sensíveis e precoces de mudanças no metabolismo ósseo;

  • A ausência de dados como cálcio sérico impede avaliação do balanço mineral;

  • E a fosfatase alcalina óssea ou o P1NP ajudariam a confirmar se houve supressão da formação óssea, como sugerem os dados histológicos.


🧬 Limitações adicionais do estudo

  • Modelo apenas com ratas fêmeas, sem controle do ciclo hormonal;

  • Ausência de avaliação da atividade física espontânea;

  • Curto período experimental (8 semanas);

  • Modelo fechado, sem variações alimentares, emocionais ou sociais como em humanos.


✅ O que o estudo realmente mostra

“Em RATAS ADULTAS sob restrição calórica, o aumento da ingestão DE CASEÍNA foi associado à preservação da massa magra, mas também à piora da qualidade óssea, aumento da gordura na medula e maior reabsorção do osso.”

📉 Limitações adicionais do modelo

  1. Animais exclusivamente fêmeas, com possíveis flutuações hormonais (ciclo estral não monitorado);

  2. Sem controle da atividade física espontânea;

  3. Modelo de 8 semanas, que representa uma janela curta para alterações esqueléticas em seres humanos;

  4. Não aplicável a dietas humanas reais, que incluem alimentos variados e são influenciadas por múltiplos fatores: estresse, sono, fármacos, genética, etc.


🚫 O que este estudo não permite afirmar

  • Que dietas hiperproteicas são prejudiciais a humanos;

  • Que ingerir proteínas enfraquece os ossos;

  • Que músculo causa perda óssea;

  • Que devemos reduzir proteína em dietas clínicas.


🧭 O que podemos aprender

  • O tipo de proteína importa;

  • A saúde óssea é mais sensível à restrição calórica do que à massa muscular isoladamente;

  • O osso é afetado por múltiplos sistemas: hormonal, intestinal, inflamatório, energético;

  • e principalmente:

“Quando a proteína ingerida não é fisiológica para o organismo e é administrada sob condições de estresse energético crônico, podem haver prejuízos desastrosos a vários órgãos e tecidos.”

Apesar de abordar a saúde óssea, não foram realizadas análises de integridade intestinal, inflamação sistêmica ou composição da microbiota. Isso é uma lacuna importante, pois o eixo intestino–sistema imune–osso é cada vez mais reconhecido como determinante na regulação da formação e reabsorção óssea, especialmente em estados de estresse calórico.


🔋 A restrição calórica por si só já compromete a saúde óssea

Tanto o grupo R quanto o grupo H apresentaram perda estrutural óssea significativa, o que indica que a restrição energética de 30% aplicada ao longo de 8 semanas já foi suficiente para causar redução da formação óssea e ativação da reabsorção, independentemente da quantidade de proteína.

Portanto, o prejuízo ósseo pode ter sido mais consequência do déficit calórico do que da proteína em si.

Dessa forma, esse estudo experimental não serve como base para prescrição dietética em humanos.


📎 Referência científica original

Romano BC, Araújo IM, Ribeiro MSP, Silva LTP, Dick-de-Paula I, Fukada SY, et al.
Low-calorie and high-protein diet has diverse impacts on the muscle, bone, and bone marrow adipose tissues.
JBMR Plus. 2025 Jan;9(1):ziae150.
https://doi.org/10.1093/jbmrpl/ziae150


📌 Veja também

Divulgação oficial da pesquisa pela USP:
👉 https://www.fmrp.usp.br/pb/arquivos/18238

10 de maio de 2025 0 comment
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Vem aí um novo “Mounjaro” sem agulhas ?

by Otávio Melo 3 de maio de 2025

🧬 Vem aí um novo “Mounjaro” sem agulhas

Três vezes mais potente que o Ozempic, novo comprimido pode aposentar as canetas.

Imagine um comprimido capaz de promover a mesma perda de peso dos medicamentos mais potentes do mercado — mas sem injeções, sem agulhas, sem refrigeração.

Essa é a proposta do Orforglipron, o novo medicamento oral da farmacêutica Eli Lilly, que está sendo testado como uma alternativa revolucionária no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Embora ainda não esteja aprovado para uso clínico, os estudos já despertam atenção mundial por seus resultados expressivos.


🔬 O que é o Orforglipron?

O Orforglipron é um agonista oral do receptor de GLP-1, mesma classe de medicamentos que inclui Ozempic, Wegovy e Mounjaro — tradicionalmente aplicados por injeção.

Diferentemente deles, o Orforglipron é uma molécula não peptídica, o que permite sua absorção pelo trato digestivo sem degradação, tornando possível a administração em forma de comprimido diário, sem necessidade de jejum nem refrigeração.


📉 O que mostram os estudos?

🔹 Estudo de fase 2 (New England Journal of Medicine, 2023)

  • População: adultos com obesidade ou sobrepeso (sem diabetes);

  • Duração: 36 semanas;

  • Resultado: perda de até 14,7% do peso corporal com uso exclusivo de comprimidos, a depender da dose;

  • Destaque: pacientes que usaram as doses mais altas chegaram a perder cerca de 15 kg, sem uso de agulhas.
    📚 Fonte: NEJM, 2023 – Oforglipron


🧪 Em que fase está o Orforglipron?

O medicamento está atualmente em estudos de fase 3, como o ensaio clínico ACHIEVE-1, que investiga sua eficácia e segurança em uma população maior, incluindo pacientes com diabetes tipo 2.

Estudos de fase 3 são etapas avançadas e determinantes no desenvolvimento de medicamentos. Neles, os efeitos observados nas fases anteriores são testados em larga escala, com maior diversidade de pacientes. Com base nesses resultados, o medicamento pode ser submetido à aprovação regulatória por órgãos como o FDA (EUA) e a Anvisa (Brasil).

🔍 Resultados preliminares do estudo ACHIEVE-1:

  • Redução da hemoglobina glicada (A1C): entre 1,3% e 1,6% após 40 semanas de uso;

  • Mais de 65% dos pacientes atingiram A1C ≤ 6,5%, valor considerado abaixo do limiar diagnóstico para diabetes pela ADA;

  • Perda de peso média: 7,2 kg na dose de 36 mg;

  • Com doses menores (3 mg e 12 mg), a perda foi de 4,2 kg e 5,2 kg, respectivamente;

  • Observação importante: os participantes ainda não haviam atingido o platô de perda de peso ao final do estudo — indicando potencial de perda adicional com o uso contínuo.
    📚 Fonte: Revista Galileu – 2025


📊 Comparativo com outros tratamentos

TratamentoViaPerda de peso média (%)População estudada
OzempicInjetável~5–7%Diabetes tipo 2
RybelsusOral~4–5%Diabetes tipo 2
WegovyInjetável~15%Obesidade
MounjaroInjetável~15–21%Obesidade
OrforglipronOralaté 14,7% (fase 2)Obesidade
Cirurgia bariátricaCirúrgico~25–30%Obesidade grave
 

📌 Ou seja: em termos de perda de peso, o Orforglipron foi até três vezes mais eficaz que o Ozempic, e se aproximou dos melhores resultados da tirzepatida (Mounjaro) — com a vantagem de ser um comprimido diário, sem agulhas.


⚠️ Quais são os riscos?

Assim como qualquer tratamento, o uso do Orforglipron pode provocar efeitos colaterais. Os mais comuns observados nos estudos foram náuseas, diarreia, constipação, indigestão e vômito — sintomas geralmente leves a moderados e semelhantes aos de outros medicamentos da mesma classe (GLP-1).

Já a cirurgia bariátrica, apesar de ser o método mais eficaz em termos absolutos de perda de peso, envolve riscos significativos, como:

  • Complicações cirúrgicas (sangramentos, infecções, fístulas);

  • Deficiências nutricionais crônicas (ferro, B12, vitamina D, cálcio);

  • Síndrome de dumping (queda de pressão e sintomas digestivos após refeições);

  • Reganho de peso em até 30% dos casos sem seguimento multidisciplinar;

  • Necessidade de reoperações ou intervenções complementares.
    Além disso, exige mudanças permanentes no estilo de vida, suplementação contínua e acompanhamento médico rigoroso.


📍 Conclusão

O Orforglipron representa uma das inovações mais promissoras no tratamento da obesidade: um comprimido diário, com eficácia comparável às terapias injetáveis mais potentes, sem agulhas e sem os riscos da cirurgia.

Embora ainda esteja em fase de testes, tudo indica que ele poderá transformar a forma como tratamos o excesso de peso nos próximos anos — oferecendo uma solução mais prática, confortável e acessível para milhões de pessoas.


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3 de maio de 2025 0 comment
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6 Descobertas Incríveis Sobre o Uso da Metformina na Artrose de Joelho

by Otávio Melo 24 de abril de 2025

A dor crônica no joelho tem novo inimigo: a metformina

A artrose de joelho (ou osteoartrite) é uma das doenças mais incapacitantes do mundo. Estima-se que mais de 365 milhões de pessoas sofram com essa condição globalmente, principalmente aquelas com sobrepeso ou obesidade, onde o impacto nas articulações é ainda mais severo devido ao peso corporal e ao quadro inflamatório associado ao excesso de gordura​.

Até recentemente, os tratamentos disponíveis para a artrose de joelho eram limitados a analgésicos, fisioterapia, infiltrações e, em estágios mais avançados, cirurgia. No entanto, um estudo clínico inédito publicado na revista JAMA (abril de 2025) trouxe um novo protagonista para esse cenário: a metformina, um medicamento amplamente usado no tratamento do diabetes tipo 2 há mais de 60 anos​.


📚 O estudo: onde foi publicado, quem fez e por que ele é importante

O estudo, liderado pela pesquisadora Dra. Feng Pan e equipe da Monash University, Austrália, foi publicado na JAMA (Journal of the American Medical Association) em abril de 2025. Ele é um dos primeiros ensaios clínicos randomizados, duplo-cego e controlado por placebo a investigar se a metformina pode aliviar dor, rigidez e perda funcional em pacientes com osteoartrite de joelho e sobrepeso/obesidade​.

🔬 O que torna esse estudo ainda mais relevante é sua metodologia: conduzido inteiramente via telemedicina, em um contexto pós-pandemia, ele alcançou alta taxa de adesão e segurança, provando que a ciência pode ser acessível e moderna.


🧪 Metodologia: como o estudo foi feito

O ensaio envolveu 107 participantes com média de idade de 58,8 anos, sendo 68% mulheres, todos com diagnóstico de osteoartrite sintomática e IMC ≥25. Eles foram divididos em dois grupos:

  • Grupo Metformina (n=54): tomaram 2000 mg/dia do medicamento por 6 meses.

  • Grupo Placebo (n=53): receberam um comprimido visualmente idêntico, mas inativo.

Os participantes foram avaliados antes, aos 3 e aos 6 meses usando:

  • Escala Visual Analógica de Dor (VAS)

  • Índice WOMAC (Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index)

  • Avaliação de Qualidade de Vida (AQoL-8D)

  • Critérios de resposta OMERACT-OARSI


📈 Resultados: o que os números mostraram

✅ Redução significativa da dor

  • Metformina: redução média de –31,3 mm na VAS

  • Placebo: redução média de –18,9 mm

🟢 Diferença entre os grupos: –11,4 mm (p = 0,01) — estatisticamente significativa e clinicamente relevante.

✅ Melhora nos índices de rigidez e função:

  • Rigidez WOMAC: –56,9 no grupo metformina vs –26,7 no grupo placebo (p = 0,01)

  • Função WOMAC: –426,1 vs –221,7 (p = 0,009)

  • Dor WOMAC: –113,9 vs –68,2 (p = 0,045)

📊 Efeito moderado com tamanho de efeito 0,43, considerado positivo e promissor para um tratamento não cirúrgico​.


🧬 Como a metformina age no organismo além do controle da glicose?

Estudos anteriores já demonstravam que a metformina tem efeitos anti-inflamatórios, melhora no metabolismo lipídico, redução da resistência à insulina, e modulação da AMPK (proteína quinase ativada por AMP), um regulador chave da homeostase celular e inflamação​

Esses mecanismos explicam por que a metformina pode ajudar a preservar a cartilagem e aliviar sintomas articulares — especialmente em pessoas com obesidade, que sofrem com inflamação crônica e estresse mecânico nos joelhos.


🔁 Comparações com outros estudos científicos confiáveis

🧩 Estudos observacionais prévios já haviam sugerido esse efeito:

  1. Osteoarthritis Initiative (EUA): pacientes com obesidade que usaram metformina perderam menos cartilagem do joelho ao longo de 4 anos

  2. Estudo em Taiwan: mostrou que o uso combinado de metformina reduziu taxas de artroplastia em 10 anos

  3. Cohort retrospective com 20 mil pessoas: metformina foi associada a menor risco de desenvolver OA em comparação com sulfonilureias.

🧪 Entenda o papel da insulina e dos condrócitos na destruição da cartilagem

Pouca gente sabe, mas os condrócitos, que são as células responsáveis por manter a cartilagem saudável nas articulações, possuem receptores para insulina. E esse detalhe muda tudo quando falamos de pessoas com sobrepeso, obesidade ou diabetes tipo 2.

🧬 O que acontece com os condrócitos em ambientes com alta insulina?

Em condições normais, a insulina tem uma ação anabólica, ou seja, de construção e regeneração tecidual. Porém, em pacientes com resistência à insulina — como é o caso da maioria das pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade —, os tecidos não respondem corretamente à insulina, e o pâncreas passa a produzir quantidades maiores desse hormônio.

🟥 Resultado: os níveis elevados e constantes de insulina no sangue (hiperinsulinemia) ativam **receptores nos condrócitos que, paradoxalmente, passam a desempenhar uma função catabólica — ou seja, destrutiva do tecido da cartilagem

⚠️ Consequências desse processo:

  • Aumenta a produção de metaloproteinases de matriz (MMPs) — enzimas que degradam colágeno e proteoglicanos, principais componentes da cartilagem.

  • Reduz a produção de proteínas estruturais, comprometendo a integridade da matriz extracelular.

  • Promove a inflamação local e a liberação de citocinas inflamatórias, como TNF-α e IL-1β, agravando ainda mais o quadro.

👉 Em outras palavras, o excesso de insulina, longe de proteger, contribui diretamente para a progressão da osteoartrite nas pessoas com resistência insulínica.


💊 Metformina: o antagonista do catabolismo articular

Aqui entra a grande sacada do estudo com metformina: o medicamento reduz a resistência à insulina e os níveis de insulina circulante, além de possuir efeitos anti-inflamatórios diretos nas células articulares

✔️ A metformina bloqueia a sinalização destrutiva nos condrócitos, reduzindo a expressão de MMPs e inibindo vias inflamatórias como NF-κB, que está envolvida na ativação de genes catabólicos.

✔️ Ela também ativa a AMPK (proteína quinase ativada por AMP), que atua como um “guardião metabólico”, promovendo a regeneração celular e a homeostase articular


🔗 Correlação com o diabetes tipo 2

A osteoartrite em pessoas com diabetes não se explica apenas pelo excesso de peso. Pesquisas mostram que mesmo pessoas magras com diabetes tipo 2 apresentam maior risco de artrose — isso se deve exatamente a esse mecanismo metabólico e inflamatório que envolve os condrócitos, a insulina e o desequilíbrio da matriz extracelular

Portanto, o uso da metformina, ao controlar a hiperinsulinemia, reduzir a inflamação e proteger a cartilagem, pode representar um novo paradigma para tratar não só os sintomas, mas também a fisiopatologia da osteoartrite.

🔄 Metformina, insulina e condrócitos: a nova chave para proteger as articulações

Como explicamos, os condrócitos, ao serem expostos a altos níveis de insulina — como ocorre frequentemente em pessoas com resistência insulínica ou diabetes tipo 2 — começam a expressar genes que promovem a quebra da cartilagem. Eles deixam de cumprir sua função regenerativa e passam a colaborar com a destruição do tecido articular, acelerando a progressão da artrose.

Essa descoberta muda a forma como entendemos a osteoartrite em pessoas com obesidade ou doenças metabólicas: não é só uma doença “mecânica”, causada por excesso de peso, mas também “bioquímica”, induzida por inflamação e desequilíbrio hormonal.

🧠 E é nesse cenário que a metformina surge como um agente promissor, por atuar exatamente nos mecanismos celulares e metabólicos que prejudicam os condrócitos:

  • Reduz a resistência à insulina

  • Diminui os níveis de insulina circulante

  • Modula vias inflamatórias (como NF-κB e MAPK)

  • Estimula a AMPK, que protege as células da cartilagem

Esses efeitos já foram confirmados em diversos estudos pré-clínicos e agora ganham força com este ensaio clínico recém-publicado na JAMA.


🌍 Repercussão: por que isso importa para o Brasil e o mundo?

O Brasil tem mais de 9 milhões de pessoas com artrose e uma das maiores taxas de sobrepeso da América Latina, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. A obesidade é um fator de risco não só para o diabetes, mas também para doenças articulares.

🔎 Se a metformina — um medicamento barato, disponível no SUS, seguro e amplamente utilizado — puder ser reposicionada para o tratamento da artrose, estamos diante de uma revolução terapêutica de baixo custo e alto impacto populacional.

Além disso, para os profissionais de saúde, essa abordagem integra endocrinologia, reumatologia e ortopedia, ampliando o olhar sobre doenças crônicas e seus tratamentos conjuntos.


🌱 Próximos passos: o que ainda precisamos saber?

O estudo da JAMA é sólido, mas também levanta algumas perguntas importantes:

  • Qual o efeito da metformina no longo prazo? O estudo teve duração de 6 meses, mas os benefícios poderiam se manter ou até melhorar em 12 ou 24 meses?

  • Funcionaria também em pacientes sem sobrepeso?

  • Seria possível prevenir a progressão da artrose em estágios iniciais com metformina?

👩‍🔬 A ciência já está buscando essas respostas. Outros estudos estão em andamento, inclusive com imagens por ressonância magnética, para avaliar a estrutura da cartilagem ao longo do tempo. A tendência é que vejamos mais ensaios clínicos com metformina como terapia adjuvante na artrose nos próximos anos.

📚 Referência

  1. Pan F, Wang Y, Lim YZ, et al. Metformin for Knee Osteoarthritis in Patients With Overweight or Obesity. JAMA. 2025 Apr 24. Acesse aqui

24 de abril de 2025 0 comment
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7 Lesões na Corrida com Tênis com Placa de Carbono

by Otávio Melo 23 de março de 2025

✅ Os tênis com placa de carbono podem mudar a mecânica da corrida de maneira imprevisível:
Essa tecnologia não afeta todos os corredores da mesma forma. Dependendo da pisada e do estilo de corrida, os benefícios podem ser reduzidos ou até mesmo causar prejuízos biomecânicos.

✅ Falta de estudos de longo prazo sobre os efeitos no corpo:
Os pesquisadores ainda não têm dados suficientes para dizer quais serão os impactos desses tênis no corpo dos atletas ao longo dos anos.

✅ Risco de fadiga muscular e lesões aumentadas:
O uso excessivo de tênis com placa de carbono pode levar a uma sobrecarga no tendão de Aquiles, nos metatarsos e na panturrilha, principalmente porque altera a forma como os músculos absorvem impacto.

✅ Nem todos os corredores se beneficiam igualmente:
Embora muitos atletas de elite tenham obtido grandes melhorias no desempenho, corredores amadores podem não sentir os mesmos ganhos e podem estar mais propensos a lesões.

✅ Diminuição do fortalecimento natural dos pés:
O artigo sugere que, ao depender excessivamente da propulsão da placa de carbono, os corredores podem acabar fortalecendo menos os músculos estabilizadores do pé, tornando-se mais vulneráveis a lesões quando usam outros calçados.


📌 Como Essas Novas Informações Afetam Nosso Entendimento Sobre os Riscos?

📌 1. O impacto varia de corredor para corredor: Nem todo mundo experimenta os mesmos benefícios. Para alguns, a placa pode ser mais prejudicial do que benéfica.

📌 2. O risco de lesão pode aumentar: A transição inadequada para esse tipo de tênis pode causar fadiga muscular, sobrecarga óssea e até mesmo fraturas por estresse.

📌 3. O uso contínuo pode prejudicar o fortalecimento natural do pé: Se o corredor não alternar com outros tipos de calçado, pode acabar dependente da tecnologia para correr bem.

🏃‍♂️ Tênis com Placa de Carbono: A Revolução que Pode Estar Machucando Corredores

Os tênis com placa de carbono chegaram ao mercado como uma verdadeira revolução na corrida de alto rendimento. Prometendo melhorar a economia de corrida e reduzir o esforço muscular, esses calçados ajudaram atletas a bater recordes e alcançar novos patamares de performance. No entanto, um crescente número de lesões entre corredores que adotaram essa tecnologia levanta um alerta: será que o uso prolongado desses tênis pode estar causando danos ao corpo?

Estudos recentes mostram que, embora os tênis com placa de carbono tragam benefícios em performance, eles também podem aumentar o risco de fraturas por estresse, sobrecarga muscular e alterações biomecânicas que impactam a saúde do corredor.

🧐 O Que São os Tênis com Placa de Carbono?

Os tênis com placa de carbono começaram a ganhar popularidade após o sucesso do lançamento em 2017. Um modelo de uma marca muito conhecida introduziu uma placa de fibra de carbono embutida na entressola, oferecendo maior propulsão e eficiência ao corredor. Desde então, diversas marcas desenvolveram suas versões dessa tecnologia.

A promessa desses calçados é clara: reduzir a fadiga muscular, melhorar a economia de corrida e aumentar a velocidade. No entanto, a estrutura altamente responsiva desses tênis também pode alterar a mecânica natural da corrida, sobrecarregando músculos e articulações de formas inesperadas.

🔬 Como os Tênis com Placa de Carbono Afetam o Corpo?

Os tênis com placa de carbono têm três características principais:

✅ Placa de carbono embutida na entressola – Ajuda a impulsionar o corredor para frente, reduzindo o esforço muscular.
✅ Espumas ultraleves e responsivas – Absorvem o impacto e devolvem energia a cada passada.
✅ Curvatura avançada – Melhora a mecânica da corrida, otimizando a movimentação do tornozelo e dos metatarsos.

Embora esses elementos tragam vantagens na performance, eles também alteram a forma como o corpo absorve impactos e distribui cargas. E é aí que os problemas começam.


🚑 As 7 Principais Lesões Relacionadas ao Uso de Tênis com Placa de Carbono

Com o aumento do uso desses calçados, fisioterapeutas e médicos do esporte começaram a observar um padrão de lesões em corredores. Veja as principais:

1. Fraturas por Estresse

A alta rigidez da placa de carbono transfere parte do impacto diretamente para os ossos do pé e da tíbia. Isso pode aumentar o risco de fraturas por estresse, especialmente em corredores que fazem transição brusca para esse tipo de tênis.

Um estudo recente analisou cinco corredores de elite que sofreram fraturas por estresse no osso navicular após começarem a usar tênis com placa de carbono.

Pesquisadores analisaram a pressão no antepé de corredores usando placas de carbono planas e curvadas. O estudo revelou que, embora as placas curvadas reduzam um pouco a pressão plantar, elas não aliviam o estresse nos metatarsos.

Quem está em risco? Corredores que fazem uma transição rápida para esses tênis ou aumentam subitamente a intensidade do treino.

Por que acontece? A rigidez da placa modifica a mecânica do pé, aumentando a carga sobre o osso navicular, um dos mais vulneráveis a fraturas.

📌 Alerta: Esse tipo de fratura pode exigir tratamento cirúrgico, afastamento do esporte, ou imobilização prolongada.


2. Tendinite do Calcâneo (Tendão de Aquiles)

A mecânica dos tênis com placa de carbono altera a distribuição da força nos tendões. Muitos corredores relatam aumento da dor no tendão de Aquiles, devido à maior demanda sobre essa estrutura.

📌 Dica: Se você tem histórico de tendinite no Aquiles, é recomendável alternar o uso desses tênis com modelos mais tradicionais.


3. Metatarsalgia (Dor na Planta do Pé)

O efeito “alavanca” da placa de carbono pode causar uma distribuição desigual do impacto na parte da frente do pé, resultando em dor intensa nos metatarsos.


4. Fascite Plantar

O formato curvado da placa de carbono altera a mecânica do arco do pé, podendo aumentar a sobrecarga na fáscia plantar e causar inflamação.

📌 Explicação: O design rígido desses tênis pode limitar a mobilidade do arco do pé, causando inflamação na fáscia plantar.

🔴 Sintomas: Dor intensa na sola do pé ao dar os primeiros passos de manhã.

📌 Prevenção: Exercícios de fortalecimento do arco do pé e alongamentos.


5. Dores no Joelho (Síndrome Patelofemoral)

Com a mudança na distribuição do impacto, alguns corredores experimentam um aumento de dores na região do joelho.

🏃 Cientistas descobriram: O uso prolongado de tênis com placa de carbono pode alterar o ângulo de ataque do pé, resultando em maior pressão na patela.

🔴 Quem está mais suscetível? Corredores com histórico de dor no joelho ou desalinhamento patelar.

📌 Dica: Se sentir dores no joelho ao correr com esse tipo de tênis, reduza o volume de treino e consulte um especialista.


6. Lesões no Quadril e Lombar

A biomecânica alterada pode levar a compensações posturais que afetam o quadril e a coluna. Muitos atletas relatam dores na lombar após a transição para esse tipo de calçado.


7. Risco Aumentado de Entorses de Tornozelo

O formato elevado da entressola pode comprometer a estabilidade, aumentando a probabilidade de torções.

📌 Recomendação: Evite usar esses tênis em trilhas ou terrenos irregulares.


❓ Como Evitar Lesões ao Usar Tênis com Placa de Carbono?

  • Faça a transição gradual: Comece utilizando o calçado em treinos curtos antes de usá-lo em provas.

  • Alterne com outros modelos: O uso exclusivo pode sobrecarregar músculos e articulações.

  • Fortaleça os pés e tornozelos: Exercícios específicos ajudam a reduzir os impactos negativos.

  • Ouça o seu corpo: Se sentir dores incomuns, faça ajustes na sua rotina de treinos.

 

📚 Referências Científicas

  1. Song Y, Cen X, Sun D, et al. Curved carbon-plated shoe may further reduce forefoot loads compared to flat plate during running. Scientific Reports. 2024;14:13215.
    🔗 DOI: 10.1038/s41598-024-64177-3

  2. Tenforde A, Hoenig T, Saxena A, Hollander K. Bone Stress Injuries in Runners Using Carbon Fiber Plate Footwear. Sports Medicine. 2023;53:1499–1505.
    🔗 DOI: 10.1007/s40279-023-01818-z

  3. Beck ON, Golyski PR, Sawicki GS. Adding Carbon Fiber to Shoe Soles May Not Improve Running Economy: A Muscle-Level Explanation. Scientific Reports. 2020;10:17154.
    🔗 DOI: 10.1038/s41598-020-74097-7

23 de março de 2025 0 comment
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Adesivos de Células-Tronco Regeneram o Coração

by Otávio Melo 30 de janeiro de 2025

O Futuro da Cardiologia Pode Estar na Terapia Celular

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Infartos, insuficiência cardíaca e outras condições afetam milhões de pessoas anualmente. Mas e se o coração pudesse se regenerar?

Pesquisadores têm estudado o uso de células-tronco para recuperar tecidos cardíacos danificados, oferecendo uma esperança para milhões de pacientes

 

Como as Células-Tronco Funcionam na Regeneração Cardíaca?

As células-tronco são capazes de se transformar em diferentes tipos celulares e se replicar, tornando-se uma grande aposta para a medicina regenerativa. Na regeneração cardíaca, elas podem:

✅ Substituir células mortas do miocárdio após um infarto
✅ Reduzir inflamações e cicatrizes no tecido cardíaco
✅ Estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos
✅ Melhorar a capacidade contrátil do coração

Mas como isso acontece na prática? Estudos indicam que células-tronco podem ser injetadas diretamente no coração ou estimuladas no próprio organismo para promover a regeneração.

💡 O Que São os Adesivos de Células-Tronco para o Coração?

A insuficiência cardíaca é uma das principais causas de morte no mundo, e os tratamentos convencionais muitas vezes não conseguem restaurar completamente a função do coração. No entanto, um estudo publicado em Janeiro de 2025 na Nature revelou um avanço promissor: adesivos de células-tronco capazes de regenerar o coração danificado.

Pesquisadores testaram um enxerto muscular cardíaco bioengenheirado em primatas e humanos, e os resultados indicaram que os adesivos ajudaram na regeneração do tecido do coração, aumentando sua função sem causar efeitos colaterais indesejáveis, como arritmias ou tumores​.


🔬 Como Funciona a Tecnologia dos Adesivos de Células-Tronco?

Os adesivos são feitos a partir de células cardíacas derivadas de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), combinadas com células estromais para formar um tecido cardíaco funcional.

✅ O processo inclui:

  1. Diferenciação celular: células-tronco são convertidas em células cardíacas.
  2. Bioengenharia do adesivo: células são cultivadas em um suporte de colágeno para formar um tecido muscular.
  3. Implantação no coração: o adesivo é aplicado sobre a região afetada.
  4. Integração ao tecido cardíaco: o adesivo promove a regeneração do coração.

Nos testes, os adesivos mostraram retenção de até 6 meses, promovendo a contração cardíaca e o aumento da fração de ejeção (medida do bombeamento do coração)​.


📊 Resultados do Estudo: O Coração Pode Se Regenerar?

Os testes foram feitos em macacos rhesus e mostraram que os adesivos promoveram um aumento significativo da espessura da parede do coração, sem efeitos adversos como rejeição ou formação de tumores.

🔹 Resultados Chave:

  • Aumento da contração cardíaca: O adesivo ajudou na recuperação da função cardíaca.
  • Sem rejeição: Os implantes foram aceitos pelo organismo.
  • Não causaram arritmias: Diferente de outros métodos, os adesivos não provocaram ritmos cardíacos anormais.
  • Mantiveram a vascularização: As células implantadas foram bem integradas ao coração​.

🧐 Comparação com Outras Terapias

Terapia Benefícios Riscos
Transplante cardíaco Restauração total da função cardíaca Alta taxa de rejeição, necessidade de imunossupressores
Células-tronco injetáveis Regeneração parcial Risco de arritmias e rejeição
Adesivos celulares Regeneração eficaz e segura Sem arritmias ou rejeição significativa

🌎 O Futuro da Cardiologia Regenerativa

A pesquisa foi um grande passo para a regeneração do coração em pacientes humanos. O próximo desafio é expandir os estudos clínicos e garantir que essa terapia esteja disponível para mais pessoas.

Os cientistas agora estão explorando:
🔸 Terapias combinadas: Uso de engenharia genética para melhorar os adesivos.
🔸 Aprimoramento da vascularização: Melhor integração ao coração.
🔸 Expansão para outros órgãos: Aplicação da técnica em fígado, rins e músculos.

 

Conclusão

A regeneração do coração por células-tronco não é mais apenas ficção científica. Estudos mostram avanços reais, e a cada ano a medicina se aproxima de uma solução definitiva para doenças cardíacas. Ainda há desafios a serem superados, mas a promessa de um futuro onde infartos podem ser revertidos está cada vez mais próxima.

🔗 Saiba mais sobre tratamentos inovadores no Blog Regenius: www.regenius.com.br


📚 Referência

 Engineered heart muscle allografts for heart repair in primates and humans. Jebran, AF., Seidler, T., Tiburcy, M. et al. Nature  (2025). https://doi.org/10.1038/s41586-024-08463-0

30 de janeiro de 2025 0 comment
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A Dor Crônica é uma Epidemia Oculta.

by Otávio Melo 21 de janeiro de 2025

Está na Hora de uma Revolução

A dor crônica é uma condição que afeta bilhões de pessoas em todo o mundo, causando sofrimento constante e muitas vezes invisível aos olhos da sociedade. Embora não seja uma doença fatal, sua presença contínua pode limitar severamente a qualidade de vida dos pacientes, tornando tarefas diárias simples em desafios quase impossíveis.

Recentemente, o jornal The New York Times, em uma reportagem de Jennifer Kahn, publicada em janeiro de 2025, trouxe uma análise profunda sobre a epidemia silenciosa da dor crônica. O artigo explora os desafios enfrentados por pacientes, os avanços científicos na área e as promessas de novos tratamentos que podem revolucionar a abordagem dessa condição.

O que é a dor crônica e por que é um problema global?

Diferente da dor aguda, que surge como resposta a uma lesão específica e desaparece com a recuperação, a dor crônica persiste por meses ou anos, mesmo após a lesão original ter cicatrizado. Segundo estimativas, cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de dor crônica​. Nos Estados Unidos, cerca de 100 milhões de pessoas convivem com essa condição – um número superior à soma de pacientes com diabetes, câncer e doenças cardíacas​.

Mas por que a dor crônica é tão difícil de tratar? A resposta está na sua complexidade. Muitas vezes, os exames médicos não conseguem identificar uma causa específica, levando os pacientes a serem classificados como “casos misteriosos”. Além disso, a falta de compreensão sobre os mecanismos subjacentes da dor dificulta o desenvolvimento de tratamentos eficazes.


A dor crônica é uma doença por si só?

Antigamente, acreditava-se que a dor crônica era apenas um sintoma de outra condição de saúde subjacente, como uma lesão ou inflamação. Hoje, no entanto, os cientistas reconhecem que a dor crônica pode ser uma doença independente, com causas e mecanismos próprios.

Pesquisas recentes mostram que a dor persistente pode ser causada por uma hiperatividade das células nervosas, que continuam enviando sinais de dor ao cérebro mesmo após a recuperação da lesão inicial. Essa sensibilização exagerada do sistema nervoso pode ser resultado de fatores genéticos, inflamações prolongadas ou mesmo experiências traumáticas.


Por que os tratamentos convencionais falham?

Atualmente, as opções de tratamento para dor crônica são limitadas e frequentemente ineficazes. Entre as terapias mais comuns estão:

  • Medicamentos analgésicos: Embora ajudem a reduzir os sintomas, muitos deles, como os opioides, apresentam riscos de dependência e efeitos colaterais graves.
  • Terapias físicas: Métodos como fisioterapia, acupuntura e quiropraxia podem proporcionar algum alívio, mas raramente resolvem o problema de forma definitiva.
  • Terapias cognitivas: Abordagens psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), ajudam a reprogramar a percepção da dor, mas nem sempre funcionam para todos.

De acordo com especialistas citados no artigo, a dor crônica exige uma abordagem mais personalizada e integrada, combinando diferentes terapias para lidar com os aspectos físicos e emocionais da condição.


Os avanços da ciência no combate à dor crônica

Nos últimos anos, a pesquisa sobre dor crônica tem avançado significativamente. O projeto HEAL, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, investiu bilhões de dólares para entender melhor os mecanismos da dor e desenvolver novos tratamentos.

Entre os avanços mais promissores estão:

  1. Novos medicamentos não opioides: Empresas farmacêuticas estão desenvolvendo fármacos que atuam diretamente nos canais de sódio responsáveis pela transmissão da dor, como o medicamento experimental Suzetrigina, que tem mostrado resultados promissores​.
  2. Terapias genéticas e celulares: Cientistas estão investigando como mutações em genes específicos podem predispor algumas pessoas à dor crônica, o que pode levar a tratamentos personalizados no futuro.
  3. Terapias neuromodulatórias: Dispositivos implantáveis que enviam estímulos elétricos ao sistema nervoso estão sendo cada vez mais utilizados para bloquear os sinais de dor antes que eles alcancem o cérebro.
  4. Inteligência Artificial (IA) na dor: A IA está sendo usada para analisar padrões de dor e sugerir abordagens terapêuticas personalizadas para cada paciente.

6 dicas práticas para lidar com a dor crônica

Enquanto a ciência trabalha para encontrar soluções mais eficazes, há algumas estratégias que podem ajudar a gerenciar a dor crônica no dia a dia:

  1. Compreenda sua dor: Saber que a dor crônica é uma condição legítima pode ajudar a lidar melhor com ela. Estar informado é o primeiro passo para encontrar alívio.
  2. Mantenha-se ativo: Exercícios físicos leves, como caminhadas e yoga, podem ajudar a aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida.
  3. Experimente técnicas de relaxamento: Práticas como mindfulness, respiração profunda e meditação podem ajudar a reduzir a percepção da dor.
  4. Busque apoio profissional: Um bom time de especialistas, incluindo médicos, fisioterapeutas e psicólogos, pode fazer toda a diferença.
  5. Evite gatilhos da dor: Alimentos inflamatórios, estresse e má postura podem agravar a dor. Identifique e elimine esses fatores do seu dia a dia.
  6. Registre sua jornada: Manter um diário da dor pode ajudar a identificar padrões e encontrar estratégias mais eficazes para lidar com ela.

Conclusão: O que o futuro reserva para os pacientes com dor crônica?

Embora a dor crônica continue sendo um desafio para a medicina moderna, há esperança no horizonte. Com os avanços científicos e uma maior conscientização sobre o problema, espera-se que novas terapias mais eficazes e acessíveis sejam desenvolvidas nos próximos anos.

A dor crônica pode ser uma jornada solitária, mas é importante lembrar que existem recursos, apoio e estratégias para ajudar a melhorar a qualidade de vida.

Se você sofre de dor crônica, não perca a esperança. Busque ajuda, informe-se e continue tentando diferentes abordagens até encontrar aquela que funcione para você.

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21 de janeiro de 2025 0 comment
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